quarta-feira, 27 de abril de 2011

Pique-Bruxinha

Sentados conversando
Eu e tu
Rindo loucamente
Eu e vós
Precisávamos ser salvos
Eu e todos


Demos-nos as mãos
Eu e elas
Era necessário alguém rápido
Eu e eles
Mas fizemos uma besteira
Eu e ele


Ninguém percebeu
Nem eu nem eles
Entrelaçamos nossos dedos
Eu e ela
Durante muito tempo


Até que foram tirados
Eu e meus dedos
Mas nenhum de nós ligou
Eu e meu coração


Voltamos a rir
Eu e tu
Voltamos a correr
Eu e vós
Em direção a casa, para sonhar
Apenas eu

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Não é arte

Doce criança
criança inocente
Sorria mexendo a cabeça para um lado
e para o outro
na cal
çada.


Levava seu irmão mais novo no carrinho
e a sua
mãe 
na mão
ele era
o guardião
claramente
o guardião


Não podia
Não podia
Não podia
estar feliz
quão injusto seria ele estar
feliz
comigo
infeliz?
será 
feliz?


tão infeliz ,quan'to, eu?


Doce Adolescente 
adolescente inocente
não tão inocente
não tão morto
dançava
na
ru-
a
vivia a vida
ao som 
da guitarra
dessssua 
música


Uniforme de guerra


estava feliz
será que estava
infeliz?
será que ninguém olhava para mim e pensava
"Por que"?
Tanta gen
te
naquela rua
e mais nenhum 
decepciona
do
mas nenhum fracasso de duas pernas


Não podia 
Não podia
Não podia
estar feliz
quão injusto seria?


Nada injusto seria



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Aventuras da Época de Verão; Hela não sabe fazer visitas

    Essa maldita fonte me lembra alguém
    Alguém de quem escolhi não lembrar.

    Enfim, era uma maldita noite calorenta
o dia havido sido cansativo, ter 17 anos nada adiantava além do fato de sua casa ser mais a rua do que qualquer outra coisa.
     Tomei banho, sem fome, fui deitar.

     Aliás, já mencionei ter sido uma maldita noite calorenta?
     Então, minha camisa já estava fora da cama, o cobertor jogado para fora, suor, suor e suor.
     Sem sonhos, quer dizer, nada significativo, não era como se conseguisse durar até eu ser afogado em baba e suor.

     Baba,
 e suor.

     Era uma droga não ter um ventilador de teto naquela época, mal consigo me esquecer de como minha cama se encharcava em noites como aquelas
     Normalmente de suor, claro.
     Normalmente

     Então ela apareceu.
     Ficou quente, mas minha alma sentiu frio
     Estava tudo escuro, mas incrivelmente, não importava para dinstinguir quem era.
     A irmã mais nova da serpente.
     Verde seu vestido, linda de morrer.
     De morrer.

      Eu já a conhecia de algum lugar, algo sobre essa mulher ter uma mesa de fome e uma faca de inanição, nada importante.

     Parou de ficar quente
     Ficou gelado
     eu suava frio
  
      Algo me aqueceu, droga, daquela vez minha cama não havia sido inundada de água
      Definitivamente não era água.

       E assim, sua metade linda e perfeita acariciou os cabelos, e com seu sorriso metade genuíno e metade
apodrecido,
      Hela, a justa deusa dos mortos, sorriu para mim.

O misterioso encapado borrão negro que fazia perguntas e rachava conceitos.

Amigos eternos
Amigos de terno
Amigos do inferno
Amigos eternos


Como diria a islandesa
Jamais pensei comprometer
Compromisso com a vida
Compromisso de não correr.


Você está na casa?
Na casa do julgamento?
Sua pele sua dor
Seu olhar de sofrimento


Amigos do Norte
Amigos de Sorte
Amigos de Marte
Amigos de Venus


Surrealismo que invade as casas
Ensinando a revolução
Utopia que invade as almas
Forçando a decepção


E se então as suas caras,
Fossem pintadas a mão?
Seriam também seus corpos,
Moldados a globalização?


Amigos do Norte
Amigos de Sorte
Amigos de Marte
Amigos de Morte.

domingo, 10 de abril de 2011

Muita Adrenalina Indo Com O Navio

“Júlia de que?”
Todos se indagavam
Era um verdadeiro mistério
Qual sobrenome?
Que família?
Que origem?
“Júlia de que?”
Não cansavam de repetir

Era de família espanhola
Júlia Ribas
Era de família brasileira
Júlia Ribas Silva
Era de família enfim
“Meninas de família não entram nesse barco”
Era mentira, muitas meninas de família entravam naquele barco

Era um navio majestoso, cabiam muitas pessoas
Eu não via hora de entrar naquela coisa
Não via mesmo, pois se visse
Não iria querer entrar

Jacques e Pedro Lucas se divertiam naquele barco
Para onde o barco ia era um mistério
Quem era o capitão também era um mistério
Mistério também era se existia mesmo aquele barco
Mas esses mistérios não interessavam
O que todos queriam saber era mais intrigante
“Júlia de que?”

E o menino original
O dono da pergunta
Estava indo pro barco
Estava tão eufórico, mas tão eufórico
Que esqueceu de se despedir
Da família e dos amigos

Porém
A família e os amigos
Não esqueceram de se despedir dele
E então o enterro
Como todos os enterros
Foi apenas um monólogo.