Sentados conversando
Eu e tu
Rindo loucamente
Eu e vós
Precisávamos ser salvos
Eu e todos
Demos-nos as mãos
Eu e elas
Era necessário alguém rápido
Eu e eles
Mas fizemos uma besteira
Eu e ele
Ninguém percebeu
Nem eu nem eles
Entrelaçamos nossos dedos
Eu e ela
Durante muito tempo
Até que foram tirados
Eu e meus dedos
Mas nenhum de nós ligou
Eu e meu coração
Voltamos a rir
Eu e tu
Voltamos a correr
Eu e vós
Em direção a casa, para sonhar
Apenas eu
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Não é arte
Doce criança
criança inocente
Sorria mexendo a cabeça para um lado
e para o outro
na cal
çada.
Levava seu irmão mais novo no carrinho
e a sua
mãe
na mão
ele era
o guardião
claramente
o guardião
Não podia
Não podia
Não podia
estar feliz
quão injusto seria ele estar
feliz
comigo
infeliz?
será
feliz?
tão infeliz ,quan'to, eu?
Doce Adolescente
adolescente inocente
não tão inocente
não tão morto
dançava
na
ru-
a
vivia a vida
ao som
da guitarra
dessssua
música
Uniforme de guerra
estava feliz
será que estava
infeliz?
será que ninguém olhava para mim e pensava
"Por que"?
Tanta gen
te
naquela rua
e mais nenhum
decepciona
do
mas nenhum fracasso de duas pernas
Não podia
Não podia
Não podia
estar feliz
quão injusto seria?
Nada injusto seria
criança inocente
Sorria mexendo a cabeça para um lado
e para o outro
na cal
çada.
Levava seu irmão mais novo no carrinho
e a sua
mãe
na mão
ele era
o guardião
claramente
o guardião
Não podia
Não podia
Não podia
estar feliz
quão injusto seria ele estar
feliz
comigo
infeliz?
será
feliz?
tão infeliz ,quan'to, eu?
Doce Adolescente
adolescente inocente
não tão inocente
não tão morto
dançava
na
ru-
a
vivia a vida
ao som
da guitarra
dessssua
música
Uniforme de guerra
estava feliz
será que estava
infeliz?
será que ninguém olhava para mim e pensava
"Por que"?
Tanta gen
te
naquela rua
e mais nenhum
decepciona
do
mas nenhum fracasso de duas pernas
Não podia
Não podia
Não podia
estar feliz
quão injusto seria?
Nada injusto seria
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Aventuras da Época de Verão; Hela não sabe fazer visitas
Essa maldita fonte me lembra alguém
Alguém de quem escolhi não lembrar.
Enfim, era uma maldita noite calorenta
o dia havido sido cansativo, ter 17 anos nada adiantava além do fato de sua casa ser mais a rua do que qualquer outra coisa.
Tomei banho, sem fome, fui deitar.
Aliás, já mencionei ter sido uma maldita noite calorenta?
Então, minha camisa já estava fora da cama, o cobertor jogado para fora, suor, suor e suor.
Sem sonhos, quer dizer, nada significativo, não era como se conseguisse durar até eu ser afogado em baba e suor.
Baba,
e suor.
Era uma droga não ter um ventilador de teto naquela época, mal consigo me esquecer de como minha cama se encharcava em noites como aquelas
Normalmente de suor, claro.
Normalmente
Então ela apareceu.
Ficou quente, mas minha alma sentiu frio
Estava tudo escuro, mas incrivelmente, não importava para dinstinguir quem era.
A irmã mais nova da serpente.
Verde seu vestido, linda de morrer.
De morrer.
Eu já a conhecia de algum lugar, algo sobre essa mulher ter uma mesa de fome e uma faca de inanição, nada importante.
Parou de ficar quente
Ficou gelado
eu suava frio
Algo me aqueceu, droga, daquela vez minha cama não havia sido inundada de água
Definitivamente não era água.
E assim, sua metade linda e perfeita acariciou os cabelos, e com seu sorriso metade genuíno e metade
apodrecido,
Hela, a justa deusa dos mortos, sorriu para mim.
O misterioso encapado borrão negro que fazia perguntas e rachava conceitos.
Amigos eternos
Amigos de terno
Amigos do inferno
Amigos eternos
Como diria a islandesa
Jamais pensei comprometer
Compromisso com a vida
Compromisso de não correr.
Você está na casa?
Na casa do julgamento?
Sua pele sua dor
Seu olhar de sofrimento
Amigos do Norte
Amigos de Sorte
Amigos de Marte
Amigos de Venus
Surrealismo que invade as casas
Ensinando a revolução
Utopia que invade as almas
Forçando a decepção
E se então as suas caras,
Fossem pintadas a mão?
Seriam também seus corpos,
Moldados a globalização?
Amigos do Norte
Amigos de Sorte
Amigos de Marte
Amigos de Morte.
Amigos de terno
Amigos do inferno
Amigos eternos
Como diria a islandesa
Jamais pensei comprometer
Compromisso com a vida
Compromisso de não correr.
Você está na casa?
Na casa do julgamento?
Sua pele sua dor
Seu olhar de sofrimento
Amigos do Norte
Amigos de Sorte
Amigos de Marte
Amigos de Venus
Surrealismo que invade as casas
Ensinando a revolução
Utopia que invade as almas
Forçando a decepção
E se então as suas caras,
Fossem pintadas a mão?
Seriam também seus corpos,
Moldados a globalização?
Amigos do Norte
Amigos de Sorte
Amigos de Marte
Amigos de Morte.
domingo, 10 de abril de 2011
Muita Adrenalina Indo Com O Navio
“Júlia de que?”
Todos se indagavam
Era um verdadeiro mistério
Qual sobrenome?
Que família?
Que origem?
“Júlia de que?”
Não cansavam de repetir
Era de família espanhola
Júlia Ribas
Era de família brasileira
Júlia Ribas Silva
Era de família enfim
“Meninas de família não entram nesse barco”
Era mentira, muitas meninas de família entravam naquele barco
Era um navio majestoso, cabiam muitas pessoas
Eu não via hora de entrar naquela coisa
Não via mesmo, pois se visse
Não iria querer entrar
Jacques e Pedro Lucas se divertiam naquele barco
Para onde o barco ia era um mistério
Quem era o capitão também era um mistério
Mistério também era se existia mesmo aquele barco
Mas esses mistérios não interessavam
O que todos queriam saber era mais intrigante
“Júlia de que?”
E o menino original
O dono da pergunta
Estava indo pro barco
Estava tão eufórico, mas tão eufórico
Que esqueceu de se despedir
Da família e dos amigos
Porém
A família e os amigos
Não esqueceram de se despedir dele
E então o enterro
Como todos os enterros
Foi apenas um monólogo.
segunda-feira, 14 de março de 2011
O primeiro sorriso
A dor de ser espancado estava muito mais no coração do que no corpo. Todos o viam no chão da calçada da rua mais movimentada daquele bairro como uma lagartixa atropelada por um carro. O agressor apenas ria e dava as costas em direção à bicicleta.
Ele era do seu tamanho e da sua idade, de diferente apenas tinha força nos braços, coisa que a vítima nunca se preocupou em ter.
Era também colega seu de escola, e nunca se trataram mal.
Até ela surgir
Aluna nova daquele ano, cabelos negros e olhos vibrantemente azuis. Miudinha era seu apelido, devia ter um metro e meio, algo incomum para uma aluna do Pré-Vestibular.
Era o amor da sua vida, aquela que o completava mesmo não sabendo disso. Um dia ela estaria cansada de tentar com todos aqueles esportistas ridículos e reconheceria o garoto de óculos como o homem com quem queria estar para sempre.
Não se agüentava esperar, algo deveria ser feito. E, obviamente, se tivesse dado certo ele não precisaria estar ali agora no chão, com o namorado da sua amada em cima de suas costas. A humilhação dobrava só pelo motivo.
Dor da humilhação...
Dor da humilhação era o escambau, aquilo era um presente, um presente divino:
O motivo.
O garoto se levantou enfurecido, e berrando após cuspir seu dente da frente empurrou com toda sua força o seu inimigo para o meio da rua.
-- Não há onomatopéias que descrevam o som do ônibus massacrando o garoto somado aos gritos de susto de quem estava lá assistindo o novo assassino ser humilhado há 30 minutos. --
Era verdadeiramente uma tragédia, um adolescente que agora jazia ali morto, amigo de todos e inimigo apenas dos que tentaram separá-lo enquanto ele batia em seu vulnerável conhecido.
O menino chorava, dizia-se arrependido, dizia-se nervoso, dizia-se humilhado. Tremia, suava, babava. Era amparado por quem tinha dó.
E dentre tantas lágrimas
Dentre tanto horror
Nasceu dali, seu primeiro sorriso.
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